Racha na direita do Pará: Mário Couto e Dr. Daniel Santos travam disputa direta pelo governo.

A disputa pelo Governo do Pará em 2026 ganhou um novo ingrediente: um racha cada vez mais evidente dentro do próprio campo da direita. De um lado, o ex-senador Mário Couto; do outro, o ex-prefeito de Ananindeua Dr. Daniel Santos. O que antes parecia um alinhamento natural de forças conservadoras agora se transforma em confronto direto com acusações, rompimentos partidários e disputa aberta por protagonismo.

A tensão se intensificou após declarações públicas de Mário Couto, que acusou Dr. Daniel Santos de interferir nos bastidores para impedir sua filiação ao Partido Novo. Segundo o ex-senador, a articulação política teria ocorrido no momento em que sua entrada na legenda já estava praticamente consolidada, gerando um rompimento imediato e classificado por ele como “traição”.  

O episódio não só rompeu pontes entre os dois líderes, como também escancarou um cenário de desorganização dentro da direita paraense. Couto chegou a afirmar que o ambiente partidário no estado é marcado por disputas internas e falta de unidade, citando inclusive conflitos anteriores dentro do PL.  

O embate entre Couto e Daniel não é apenas pessoal é estratégico. Ambos disputam o mesmo campo ideológico e, principalmente, o mesmo eleitorado de direita.

Dr. Daniel Santos aparece hoje como um dos principais nomes na corrida ao governo. Após deixar a prefeitura de Ananindeua para concorrer ao Palácio dos Despachos, ele se consolidou como candidato competitivo, figurando na liderança ou tecnicamente empatado nas pesquisas mais recentes.  

Já Mário Couto tenta se reposicionar no cenário político, mesmo após uma sequência de conflitos partidários. O ex-senador mantém o discurso de defesa da direita e afirma que seguirá no projeto eleitoral, apesar das dificuldades de articulação.  

O racha tem potencial para impactar diretamente o resultado das eleições. Com a direita fragmentada, abre-se espaço para que outros grupos políticos avancem com mais facilidade no estado.

Pesquisas recentes mostram que, embora Daniel Santos lidere ou dispute a ponta, Mário Couto ainda mantém presença relevante no cenário, o que pode dividir votos decisivos no primeiro turno.  

Na prática, o conflito cria um dilema para o eleitor conservador: apoiar um projeto mais estruturado e competitivo ou manter fidelidade a uma liderança tradicional que busca retomar espaço.

Clima de guerra antecipada

O que se vê no Pará é uma “guerra antecipada” dentro da própria direita. Antes mesmo do confronto com adversários de outros campos, Couto e Daniel já travam uma disputa direta por espaço, influência e narrativa.

Enquanto um acusa interferência e traição, o outro avança na construção de sua candidatura e consolidação política. O resultado é um cenário de instabilidade que pode redefinir completamente o jogo eleitoral de 2026.

O racha entre Mário Couto e Dr. Daniel Santos simboliza mais do que um conflito pessoal: revela a dificuldade da direita paraense em construir unidade.

Se não houver recomposição, a divisão pode custar caro e transformar a disputa interna no principal fator de derrota nas urnas.