Quem será o vice de Hana? Chicão e Celso Sabino entram no radar e disputa segue em aberto.

A definição do candidato a vice-governador na chapa da governadora Hana Ghassan (MDB) segue como uma das principais incógnitas da política paraense. Nos bastidores, a disputa pela vaga mobiliza partidos, lideranças religiosas e o núcleo político liderado pelo ex-governador Helder Barbalho, principal articulador da aliança governista.

Embora a composição da chapa ainda não tenha sido anunciada oficialmente, interlocutores avaliam que a demora faz parte da estratégia política. Enquanto a decisão permanece em aberto, MDB, PT, Avante, União Brasil, PDT, lideranças evangélicas e representantes do setor empresarial continuam participando das negociações.

A expectativa é que o anúncio do vice represente mais do que a definição de um nome: poderá redesenhar alianças e influenciar diretamente a disputa pelo Governo do Pará e pelas duas vagas ao Senado.

Evangélicos reafirmam apoio a Josué Paiva

O capítulo mais recente das negociações ocorreu durante uma reunião entre lideranças evangélicas e Helder Barbalho. Segundo informações de bastidores, o grupo voltou a defender o nome do deputado estadual Josué Paiva (Avante) para ocupar a vaga de vice.

Pastor da Assembleia de Deus, empresário e bacharel em Teologia, Josué foi eleito deputado estadual em 2022 com 36.874 votos e conta com o apoio da Convenção Interestadual de Ministros e Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Pará (Comieadepa) e de lideranças de outras denominações religiosas.

Apesar de manter Josué como prioridade, as lideranças teriam sinalizado que aceitariam outro nome, desde que a vaga não fosse destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Chicão surge como alternativa

Nesse cenário, o presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), deputado Chicão (União Brasil), passou a ser citado como uma alternativa de consenso.

De acordo com fontes ligadas às negociações, o nome foi apresentado ao ex-governador Helder Barbalho, que teria informado apenas que avaliaria a possibilidade. Até o momento, não há confirmação oficial do MDB, da governadora Hana Ghassan ou do União Brasil sobre qualquer mudança na composição da chapa.

Celso Sabino também aparece nas articulações

Outro nome que circula entre os bastidores é o do ex-ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil). Embora o PDT trabalhe pela consolidação de sua candidatura ao Senado, integrantes da base governista avaliam que ele também reúne condições políticas para compor a chapa majoritária, caso as negociações caminhem nessa direção.

Sua eventual escolha também exigiria uma ampla reorganização da estratégia eleitoral da coligação.

PT mantém Dirceu Ten Caten como indicado

Enquanto isso, o PT segue defendendo publicamente o nome do deputado federal Dirceu Ten Caten para a vice-governadoria.

O partido afirma que a composição seria formada por Lula para presidente, Hana Ghassan para governadora, Dirceu como vice e Helder Barbalho e Chicão disputando o Senado. No entanto, apesar da indicação petista, o MDB ainda não oficializou a escolha.

Nos bastidores, analistas avaliam que uma eventual confirmação de Dirceu fortaleceria a ligação da chapa estadual com o governo federal, mas poderia ampliar resistências entre setores religiosos e conservadores.

Decisão pode mudar o cenário político

A indefinição permite ao núcleo governista manter todas as correntes políticas na mesa de negociação até os últimos dias das convenções partidárias.

Caso Hana opte por Josué Paiva, a campanha ampliaria sua aproximação com o segmento evangélico, mas poderia gerar desgaste com o PT. Se o escolhido for Dirceu Ten Caten, o fortalecimento da aliança com os petistas pode provocar reações entre lideranças religiosas.

Já uma eventual escolha de Chicão ou de Celso Sabino exigiria a revisão de acordos já anunciados para a disputa ao Senado, provocando um verdadeiro efeito dominó dentro da base governista.

Com as convenções partidárias se aproximando do prazo final, a expectativa é que a definição aconteça nos próximos dias. Até lá, o chamado “vice invisível” continua sendo uma das peças mais disputadas da política paraense e poderá ser decisivo para o desenho final da eleição de 2026.