A Câmara dos Deputados protagonizou, nesta quinta-feira, uma das cenas mais preocupantes da história recente do Parlamento brasileiro. Em um episódio descrito por parlamentares como “sem precedentes nem na ditadura”, a Presidência da Casa, sob comando do deputado Hugo Motta determinou o corte do sinal da TV Câmara e restringiu o acesso da imprensa ao plenário, uma medida considerada grave e antidemocrática por diversos setores.
A ação teria ocorrido para impedir que o povo brasileiro testemunhasse a violência praticada contra o deputado Glauber Braga, que foi arrancado à força da Mesa por policiais legislativos. A operação, segundo relatos, ocorreu por ordem direta do presidente em exercício da sessão, deputado Hugo Motta, que meses atrás recuou diante de grupos golpistas que chegaram a paralisar as atividades da Câmara.
O contraste entre a postura firme adotada contra um parlamentar em pleno exercício de suas funções e a complacência demonstrada anteriormente diante de atos antidemocráticos gerou forte indignação. Para críticos, a conduta de Hugo Motta representa um duplo padrão preocupante e abre precedente perigoso para abusos de autoridade dentro do Parlamento.
Silenciamento institucionalizado
O corte do sinal da TV Câmara ferramenta pública que garante transparência e acesso da população ao que acontece dentro da Casa foi considerado um atentado direto à democracia. A restrição à imprensa reforçou ainda mais a percepção de que o episódio foi uma tentativa clara de esconder da sociedade um ato de violência política.
Para parlamentares, jornalistas e analistas políticos, o ocorrido marca um retrocesso institucional que não pode ser normalizado. Em vez de assegurar a publicidade e a integridade do processo legislativo, a Câmara vivenciou um momento de censura e repressão incompatível com o Estado democrático de direito.
Exigência de explicações
O episódio deve gerar uma onda de pedidos de investigação e medidas internas. Parlamentares já articulam ações para responsabilizar os envolvidos e reverter o que consideram uma “tentativa de calar e intimidar” opositores.
Num país que já enfrentou duros períodos de autoritarismo, ver a Casa do Povo adotar práticas de obscurantismo levanta um alerta grave: a democracia não se esvai de uma vez, mas por gestos como esses silenciosos, arbitrários e perigosos.
A sociedade brasileira merece transparência, respeito e compromisso com as regras democráticas. O que se viu hoje na Câmara foi justamente o oposto disso.





